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Sobre a Caravela

Cada ser humano é inteiramente excepcional, todos nós nascemos com igual possibilidade de criar. Cabe a cada um de nós deixar feito o que nenhum outro fez. Por muito que se perturbe a ordem estabelecida, não temos outra missão senão a de criarmos; a de nos criarmos. Cada um o poema que é. A missão da Caravela inscreve-se em quatro grandes áreas. A primeira, em relação próxima com o indivíduo, destinada a desocultar o talento, a incubar o espírito; a apoiar, dinamizar e projectar a arte única (seja ela qual for) e a invenção do novo que germina em cada um. Como diria Agostinho da Silva, não damos luz aos outros, nada disso, desocultamos é a luz que os outros têm.A segunda em relação aberta com o mundo com especial atenção à criação, divulgação e intercâmbio cultural dos países de língua portuguesa.A terceira na realização de workshops culturais, tertúlias, eventos em diversas áreas (teatro, musica, cinema, pintura, fotografia, escultura, gastronomia, design, edição literária, ciência, entre outras). A quarta na partilha solidária e inovadora através de serviços ao serviço da comunidade e do bem estar individual: Astropsicologia, Filosofia Motivacional, Fitoenergética, Reflexologia, são disso exemplo.

|Instantes|

Agostinho da Silva

“Creio que uma das atitudes fundamentais do homem humano deve ser a de reconhecer em si, numa falta de compreensão ou numa falta de acção, a origem das deficiências que nota no ambiente em que vive; só começamos, na verdade, a melhorar quando deixamos de nos queixar dos outros para nos queixar de nós, quando nos resolvemos a fornecer nós mesmos ao mundo o que nos parece faltar-lhe; numa palavra, quando passamos de uma atitude de pessimista censura a uma atitude de criação optimista, optimista não quanto ao estado presente, mas quanto aos resultados futuros.”

– Agostinho da Silva, REVOLTA, GLOSSAS (1945) in TEXTOS E ENSAIOS FILOSÓFICOS I, 1º ed., Âncora Editora, 1999, pp. 58 e 59.

Defesa do Poeta de Natália Correia

“A defesa do poeta” é um poema da autoria de Natália Correia composto para se defender no Tribunal Plenário, em 1966, quando foi julgada e condenada a três anos de prisão com pena suspensa pela «Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica». A intenção da poetisa era lê-lo em Tribunal mas, não o fez a pedido do seu advogado que sensatamente a advertiu de que «a sua insólita leitura no decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sentença».

“Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.”

Caravela
À descoberta de novos mundos

Natália Correia

“Parto de Fé” de Paulo Anes

Edições Caravela

Parto de Fé trata-se de um livro de poesia que excede as fronteiras da banalidade das palavras ou de quaisquer paradigmas da linguagem. 

Ao leitor menos atento poderá passar despercebida a verdadeira magnitude deste livro. 

Ao leitor mais atento, surgirá diante dos seus olhos um quadro, uma peça de teatro, uma composição musical ou uma qualquer outra forma de arte, repleta de sentimentos e pensamentos, do mais profundo ao mais volátil sentido da vida, do mais sensível ao mais estóico ser humano, do filosófico ao espiritual, do pleno que nos define ao nada que, por vezes, nos consome. 

Parto de Fé mergulha na essência da poesia, no sentido do Ser, na significação de tudo. Para lê-lo e compreendê-lo, é necessário olhá-lo com a calma de uma águia que lentamente paira no ar, em voo sublime e perspicaz. 

De outra forma, não tente compreender e deixe-se apenas sentir, que é esse, afinal, o propósito da vida.

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